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27 e-mails não lidos se perderam na minha caixa de entrada. Nenhum deles veio de você, não perco tempo para encontrá-los, lê-los e depois esquecer que existem. Dedico esses minutos diários apertando a mesma tecla: F5, F5, F5, F5. Quando o vigésimo-oitavo finalmente chega, e eu reconheço as letras pretas em negrito com fundo de tela branco se diferenciarem do mar de letras pretas simples no fundo azul claro, por um milésimo de segundo paro e penso no seu nome, antes de verificar se ele vai se formar na tela. Raramente é o caso. Você escreve muito pouco. Quando a vigésima-oitava mensagem aparece, eu leio rápido, respondo se necessário e volto à página inicial, e aos 27 e-mails não lidos, esperando que o próximo número 28 traga a melhor notícia do dia.

Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus amigos, meus livros, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz muito calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

Manuel Bandeira