Oi, pode falar? Está tudo pronto, esse é o aviso. Já deu, perdi a paciência, vamos logo. Oi, como assim? Não sei, acho que sim, mas não sei. Tudo bem, você decide, estamos todos esperando, a conversa não é melhor do que o passeio. Beleza, vamos nessa.

Deve consolar muita gente, mas ela só não é nossa porque essa gente nunca se reuniu.

Falta mobilização porque somos todos desiludidos.

Somos todos desiludidos porque o número de cacos é grande demais para um só remendar.

O remendo até ajuda, mas passa um tempo e começamos a pensar que é só mais uma ilusão.

Cegos, com um pé atrás e o outro cambaleando, tentando esticar a mão pra chegar naquele ombro.

Só que o consolo nem sempre está lá, porque é grande mas não é dois.

E aí precisamos dividir a Nossa Senhora da Consolação. Hoje eu fiquei sem.

Uma tinha 10, a outra 14. Irmãs. Pais separados. Viviam no interior, onde as coisas são um pouco mais lenta. Deixaram mãe, pai, tios, primos, uma escola inteira em choque. A avó não. Estava junto. Mas atualmente não está mais.

Falar das duas sempre me dá uma pontada no estômago. Nunca as conheci, e tudo que sei já escrevi acima. Mas essas duas irmãs que morreram juntas já estão impregnadas aqui. E as palavras “dente” e “leite”, quando vierem juntas, nunca mais me deixarão esquecer de Júlia e Bebel.

Taí, escrevi. Não resolveu.