Escrito em 18 de novembro de 2000 (sim, há sete anos).

“When I first left Brazil to come to Canada, exactly 3 months ago, people would ask me if I was scared to be away for a whole year, and I’d say no. That was true, I wasn’t scared, but I must admit that I was a bit scared of moving to my second host family last week, maybe it was because I had a really easy time at my first family and the time went by as a flash, and my two host sisters were my age and we did lots of stuff together, they introduced me to everyone at school and everything. But before I left Brazil I thought I’d like my second host family better, because they had 2 little girls and I love kids, and they are really cute and adorable, but let’s face it, they’re kids, I need to take care of them and they won’t take care of me, they won’t drive me to school like in my last family, or make plans for saturday night, I’ll have to that with the friends I made.

I guess it’s a good chance to see at what point the people at my school were nice to me because I was friends with Katie and Taryn or because they liked who I am. I won’t let it get to me tho.

Well, today was the big move. I woke up this morning quite excited to move and not scared anymore (yesterday was a really refreshing, relaxing day and I got time to think about life a lot – check my past entries). My host mom and I went hunting for a Christmas tree, and my feet were numb, but after that, it was like 2º Celsius and I even went out with only a sweatshirt (I’m getting used to the freezing weather, finally).

At 2pm my counsellor, Charmaine, came by to pick me and my stuff up and take me to my second home. I was really surprised when I went to hug my first family goodbye I almost started to cry (I didn’t even get remotely close to almost starting to cry when I said goodbye to my parents in Brazil heh), I was kinda glad, because all the other exchange students get homesick, or cry, or get too attached to their host families and all of that, because they always have problems adapting to such a different situation, but I’m different, I can adapt really easily (sometimes that’s a bad thing cause I don’t deal with my problems, I just go over them, and they stay repressed). I haven’t had any major problems, I’m not really homesick. Sure I miss orange juice and my grandma’s food, and roller hockey and mango and real indoor soccer, but I know it’s only for one year and I’ll appreciate all of those stuff even more when I get back, but I don’t really miss any people I know in Brazil, because I prepared myself in such a way that I wouldn’t let that bother me. Well anyway, I still don’t know what these next 3 months will be like, I have a feeling I will get depressed because my new host mom is a great cook and bakes cake for a living, I also know that I don’t like this computer (in my last house I had cordless keyboard and mouse, all sorts of games, faster computer, head sets for when I wanted to d/l songs on Napster, etc). My host dad said he’s planning on buying a new computer soon, let’s hope soon comes within less than 3 months.

Oh, the dog here is annoying, the other dog was sooo cute, only problem was that he begged for food constantly. This dog is kept trapped all the time so when she’s out, she runs and runs and then they lock her back in her corner again. I feel sad when I see dogs whining…”

NR: foi o meu primeiro dia na minha segunda família. Depois que deixei o Canadá, foi realmente a família onde eu mais aprendi sobre a vida.

Nome: Ana Carolina Faleiros Camargo Moreno | Nascida em 9 de junho de 1982 na Avenida Paulista, em São Paulo | Pelo horóscopo, só poderia ser geminiana com a ambigüidade que vê em tudo e todos | Geralmente prefere a solidão, mas já conheceu os próprios limites | Sempre coloca o despertador para tocar uma hora antes de precisar sair da cama, porque perdeu toda a resiliência nos últimos cinco anos | Prefere dormir a quase todas as outras atividades da condição humana | Gostaria de jogar boliche mais vezes | Vai atualizar isso daqui sempre que der vontade | Está aberta a sugestões, mas só no papel | Não quer colocar fotos suas no álbum com mil amigos em mil lugares lindos para mostrar como sabe curtir a vida. Porque, na verdade, não sabe mesmo | Coloca, então, o que der na telha | Não usa a “bina” do Orkut, porque acha que isso não passa de uma besteira para exibicionistas que dizem gostar de privacidade | Se tem algo que não quer que ninguém veja, deleta, o resto é público de verdade | Também não adiciona pessoas que não conhece, porque não está aqui para conhecer pessoas| Mas tem um amigo no Orkut que, na verdade, só conhece pelo Orkut, e esse já vale por todos os desconhecidos | Desconfia de pessoas que pertencem a muitas comunidades | Começa coisas legais, mas nunca chega ao fim delas | Suspeita que alguém espichou o tempo e o tornou mais devagar | Lamenta que tal truque tenha dado certo na hora errada | Quer aprender a esquecer | Na dúvida, sirva com suco de frutas, músicas com melodia triste e sem frescura | Recentemente descobriu que as pessoas escrevem “S2″ quando querem desenhar um coração no meio do texto. Acha mais fácil fazer assim: <3 | Não importa a relevância do compromisso, provavelmente chegará atrasada | Recentemente, passou a cortar a própria franja | Geralmente é a pessoa que tira as fotos das outras pessoas | Está nesse mundo só esperando tudo acabar | Doa pipa, mexerica, leite e bolachas enquanto isso não acontece | Está aprendendo a viver um dia após o outro | Mas não tem paciência pra isso | Dona do incrível dom de perceber quando um televisor está ligado, mesmo sem som, sem imagem na tela e em outro recinto | Veio com defeito de fabricação: a unha do dedo mindinho da mão direita é torta | Invade velórios, terminais, ocupações, greves, favelas, praças, casas, gabinetes e vidas alheias no piloto-automático, e depois tentar sentir a emoção humana do que fez | Fracassa por falta de tempo | Contempla cadernos, sóis, mãos e crianças | Foi para Paris, visitou o Louvre, viu a Monalisa de perto mas não tirou foto porque existe uma placa (e guardas) pedindo para que não se tire fotos do quadro | Quando recebe uma cantada na rua, grita de revolta pra todo mundo ouvir | Quer tudo para não ter nada | Quando recebe uma cantada no bar, finge que é surda | Acha que azeitona não é comida, mas uma bolinha deformada que criaram só para estragar o gosto do resto da comida – essa sim verdadeira – que está no prato | Dá mais importância para o que faz de errado do que para o que faz certo | Está interessada em dividir apartamento na ZO ou Centro com alguém, contanto que esse alguém não fume | Ainda não se emancipou | Ficou genuinamente contente hoje pela primeira vez em muito tempo, ao descobrir que alguém que merece ser feliz o está sendo. Parabéns. | Buzina quando o carro da frente passa no farol fechado ou joga lixo pela janela | Odeia falar no telefone, abre poucas exceções | Gosta mais de crianças e idosos | Quis dizer com tudo isso que o Manuel Bandeira fez diferença | Dorme melhor depois que parou de comer carne, mas mesmo assim dorme muito mal | Se perdeu em alguma pedra da Praça do Relógio, e até agora não conseguiu se encontrar | Não está pronta para certas coisas | Tampouco quer se preparar para elas | Não gosta de ganhar flores e outros presentes relacionados à delicadeza das mulheres | Detesta rituais muito culturais e pouco naturais | Tem medo de sentir medo na hora de morrer | Gostaria de morrer sem dor, longe de casa e, se possível, logo | Na próxima encarnação, não vai ser

Sabia que o tempo era capaz de maravilhas (milagre é uma palavra um tanto inapropriado). Dessa vez, apostava que ele seria vencido pela inédita teimosia mimada.

O páreo foi duro de início. O tempo chegou a sangrar, mas nunca pediu trégua.

Hoje a luta está apenas no segundo round, mas já perdeu as contas. O tempo pode ser favorito. O tempo por ser zebra. Mas o tempo ainda é imbatível.