Estoy lista para África. Bueno, he estado lista para África desde que volé por encima de un enorme territorio naranja en el 2005. Pero ahora tengo lo que necesito para que me dejen pisar en desgastado suelo africano: el billete de un vuelo que de hecho aterriza allí, la cartilla internacional de vacunación debidamente estrenada con una vacuna que me vale por diez años, pero no ese viaje, y el repelente para situaciones extremas. Dejaré como sugerencia que se adopte como requisito obligatorio leer este texto antes de embarcar.

Me voy a Cabo Verde unos cuantos años después que Darwin, aunque no tendré tiempo para explorar la biodiversidad como lo hizo él. Me voy a trabajo. Y por cierto, me encanta mi trabajo.

Estos días he tenido más frío que una sudamericana ya adaptada y armada de un radiador portátil suele tener. Supongo que sea la idea de que pasaré una semana entre los 20 y los 30 grados centígrados y completamente, seguramente, decididamente, sin la compañía de precipitaciones del cielo. Pero sí me acompañan mis colegas de trabajo, a quienes solo he conocido hasta hoy por sus impresionantes esfuerzos para trabajar de maravilla con tan pocos recursos.

Irse a África mete a cualquiera en una nueva perspectiva. Digo yo. Por ahora.

i am being haunted by 56 moles.

Publicado originalmente no Blog das 30 pessoas.

Perdi a contagem de quantos dias passaram desde que voltei à minha casa. Quando entrei nela disse –Mi casita!, mas suspeito que fui organicamente inclinada a dizê-lo porque estava acompanhada, assim como já sou organicamente programada para acentuar a palavra “orgânicamente” porque os substantivos e seus derivados não me soam mais como palavras distintas, e sim como variações da mesma que, se tem acento proparoxítono, não perde nem quanto a sílaba tônica deixa de ser a antepenúltima. Esdrúxulo, eu sei, mas aqui onde eu moro é assim.

Bem, isso não é totalmente verdade. Estivesse eu sozinha, teria dito o mesmo, mesmo que mentalmente. E então sorriria pensando em como a frase soara vazia. Porque passei um mês dizendo o mesmo da minha outra casa, ainda que, dentro dela, eu escondia a palavra “outra” para não revelar meus costumes pouco monogâmicos. No momento em que pisei ali parecia que nunca tinha saído, e que os treze meses anteriores tinham sido apenas um sonho.

Eu usaria a palavra bigamia, mas estou certa de que magoaria mais de uma amante. Porque eu já me senti assim antes e só não digo que a experiência foi idêntica porque daquela vez eu disse –My home!, e dessa última o sonho foi bem conturbado.

E então uma enchente muito mais forte do que a que periodicamente me converte em desabrigada arrancou a casa muita gente, mas eles se preocupavam mais com sua família que foi arrastada junto. Porque sem uma dessas não há lar. E estamos todos tentando minimizar a necessidade física para que o lar possa ser reconstruído de dentro para fora por quem sabe muito bem onde quer chegar. É claro que paredes, teto e microondas são itens secundários e então olhei os meus iguais e disse –Minha casinha! e pelo menos soube a minha origem, o que dizem ser o primeiro passo para se aproximar do destino.

Aí chegou a hora da separação e a intuição de que dizem um monte de coisa vazia. Ela foi breve e desprendida como sempre. Quando olhei para trás ninguém encontrou meus olhos e eu sorri de novo porque isso de achar que a casa da gente está em algum lugar é mesmo uma tolice, para não dizer perda de tempo, caso a gente insista em sair procurando esse lugar pelo mundo.

Ele não existe e quem diz que o encontrou deveria guardar esse segredo em silêncio, para poupar o resto de nós da crueldade de já ter o mapa rasgando de tanto abrir, virar, fechar, anotar, levar para bem perto dos olhos, dobrar e ainda guardar no bolso de novo, caso ele se torne necessário.