não vou casar na igreja com vestido branco. brincar de noiva na festa à fantasia ou na junina não é a revelação de um desejo reprimido pelo feminismo, aquele papa-noivas vermelho e anti-democrático. o feminismo é libertação. veja a vista do outro lado da janela.
do meu ventre não vai sair ninguém. não descarto adotar alguma daquelas crianças fenomenais que já são “velhas demais”, ainda que essa ideia me pareça tão etérea como o discurso que eu pretendo dar quando receber o Oscar de melhor roteiro adaptado, quando eu adaptar o meu best-seller pra telona. mas o meu “relógio biológico” veio quebrado de fábrica. quando criança eu fingia que minhas bonecas eram meus irmãos mais novos.
eu não parei de comer carne para te fazer sentir mal porque você ainda come bichinhos indefesos. parei porque sou livre pra comer o que quiser. eu não dou a mínima para a tua dieta. devolva-me a cortesia e então eu não precisarei rolar os olhos para o teto, dar risadinhas sem graça e coerentes com as piadas que você acha que inventou sobre o tema.
eu tenho saias curtas. eu visto saias curtas. não é esse o problema.
quando eu digo que alguém que aceita uma relação monogâmica e trai tem uma falha tremenda no carácter, estou falando sério. se você é fraco demais e precisa de justificativas para poder dormir à noite, procure-as em outro lugar. e o namorado da minha amiga tem a mesma relevância que o namorado de qualquer fulana que eu não conheço. os dois estão fora dos meus limites porque, quando eu digo que não curto hipocrisia, também estou falando sério.
eu não entendo isso de sentir ciúme doentio. não entra na minha cabeça isso de se comprometer tão a sério com alguém em quem a gente não confia. eu já senti ciúme, mas não é nada doentio. eu percebo que é ciúme, deixo-o fervendo uns minutos e depois desligo o fogo e ele logo esfria. confia logo, e se o resultado for a queda da casa, tenha certeza que a próxima que você construir será mais forte.
nossa, olha o que escrevi no primeiro parágrafo… eu não pretendo casar e ponto. se eu resolver juntar, enviarei um cartão-postal avisando meu amigo Samuel, o melhor marido que eu já tive. e só pra ele porque ele faz coleção. o resto de vocês eu aviso por e-mail.
eu faço mais piadas do que deveria. brinco mais do que falo a sério. se não consegue reparar nisso, talvez é melhor ler com os olhos abertos da próxima vez.
esse texto só tem uma piada. veja só como eu sou atenciosa e evito a tua confusão.
conte quantas vezes eu usei a palavra odeio nesse ano. compare com o resto dos mortais, e só então venha falar comigo sobre os meus ódios e bravezas. se nem o basquete eu digo que odeio, não é a você que eu vou estender tamanha honra.
ok, já podes dizer que o sangue a correr pelo meu coração gelado não pode ser normal. só não deixe comentários.