Nome: Ana Carolina Faleiros Camargo Moreno | Nascida em 9 de junho de 1982 na Avenida Paulista, em São Paulo | Pelo horóscopo, só poderia ser geminiana com a ambigüidade que vê em tudo e todos | Geralmente prefere a solidão, mas já conheceu os próprios limites | Sempre coloca o despertador para tocar uma hora antes de precisar sair da cama, porque perdeu toda a resiliência nos últimos cinco anos | Prefere dormir a quase todas as outras atividades da condição humana | Começou uma coleção de castiçais | Mal pode esperar pelo primeiro jantar a luz de velas | Está gostando de morar sozinha, mas alguém que lavasse a louça cairia bem | Gostaria de jogar boliche mais vezes | Deveria ler mais esse texto | Está aberta a sugestões, mas só no papel | Não quer colocar fotos suas no álbum com mil amigos em mil lugares lindos para mostrar como sabe curtir a vida. Porque, na verdade, não sabe mesmo | Coloca, então, o que der na telha | Não usa a “bina” do Orkut, porque acha que isso não passa de uma besteira para exibicionistas que dizem gostar de privacidade | Acha que quem esconde coisas no Orkut do público em geral ou se acha melhor do que realmente é, ou está praticando pedofilia longe dos olhos do Ministério Público | Se tem algo que não quer que ninguém veja, deleta; o resto é público de verdade | Desconfia de pessoas que pertencem a muitas comunidades | Começa coisas legais, mas nunca chega ao fim delas | Suspeita que alguém espichou o tempo e o tornou mais devagar | Lamenta que tal truque tenha dado certo na hora errada | Quer aprender a esquecer | Um dia, passou num sebo e encontrou o livro de contos que escreveu com outras pessoas aos 15 anos sentado na prateleira de literatura nacional | Comprou o livro pela metade do preço que ele valia na época de lançamento | Na dúvida, sirva com suco de frutas, músicas com melodia triste e sem frescura | Recentemente descobriu que as pessoas escrevem “S2″ quando querem desenhar um coração no meio do texto. Acha mais fácil fazer assim: <3 | Quando passa pelo Vale do Anhangabaú, olha para o topo do Edifício Banespa para ver se a bandeira do Estado de São Paulo está tremulando com o vento | Concluiu que, quando venta lá em cima, faz menos frio no Vale, sempre | Não importa a relevância do compromisso, provavelmente chegará atrasada | Recentemente, passou a cortar a própria franja | Geralmente é a pessoa que tira as fotos das outras pessoas | Está nesse mundo só esperando tudo acabar | Doa pipa, mexerica, leite e bolachas enquanto isso não acontece | Está aprendendo a viver um dia após o outro | Mas não tem paciência pra isso | Dona do incrível dom de perceber quando um televisor está ligado, mesmo sem som, sem imagem na tela e em outro recinto | Quando entra no metrô, invariavelmente fica atenta a qualquer movimento estranho, que possa anunciar uma grande tragédia, porque não quer morrer de surpresa | Veio com defeito de fabricação: a unha do dedo mindinho da mão direita é torta | Invadia velórios, terminais, ocupações, greves, favelas, praças, casas, gabinetes e vidas alheias no piloto-automático, e depois tentava sentir a emoção humana do que fez | Depois de meses sentindo a alma murchar, fugiu | Meses depois, percebeu que inchar a alma de volta não é tarefa simples | Então planejou outra fuga | Contempla cadernos, sóis, mãos e crianças | Foi para Paris, visitou o Louvre, viu a Monalisa de perto mas não tirou foto porque existe uma placa (e guardas) pedindo para que não se tire fotos do quadro | Quando recebe uma cantada na rua, grita de revolta de volta | Quer tudo para não ter nada | Quando recebe uma cantada no bar, finge que é surda | Acha que azeitona não é comida, mas uma bolinha deformada que criaram só para estragar o gosto do resto da comida – essa sim verdadeira – que está no prato | Dá mais importância para o que faz de errado do que para o que faz certo | Herdou cama, poltronas, estantes, livros, CDs, geladeira, microondas e uma fogareira | Buzina quando o carro da frente passa no farol vermelho ou joga lixo pela janela | Abandonou o carro como veículo de transporte primário e sentiu redução no estresse do cotidiano | Odeia falar ao telefone, abre poucas exceções | Gosta mais de crianças e idosos | Quis dizer com tudo isso que o Manuel Bandeira fez diferença | Ultimamente virou descrente, e hoje só tem fé no futebol | E por futebol, quer dizer São Paulo Futebol Clube, o maior de todos | Dorme melhor depois que parou de comer carne, mas mesmo assim dorme muito mal | Se perdeu em alguma pedra da Praça do Relógio, e até agora não conseguiu se encontrar | Não está pronta para certas coisas | Tampouco quer se preparar para elas | Não gosta de ganhar flores porque elas morrem em três dias em vaso, e isso é cruel | Detesta rituais muito culturais e pouco naturais | Tem medo de sentir medo na hora de morrer | Gostaria de morrer sem dor, longe de casa e, se possível, logo | Na próxima encarnação, não vai ser
Jan 1st, 2008 by anarina | No Comments »
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